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O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, anunciou oficialmente a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil — e um dos principais alvos dessa nova ofensiva é o Pix, sistema de pagamento instantâneo que virou paixão nacional por aqui. Mas por que o Pix entrou na mira do governo americano? E o que está por trás dessa medida que pode afetar a relação entre os dois países?

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O que motivou a investigação do Pix pelos Estados Unidos?
Na última terça-feira (15/7), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou a abertura de uma investigação contra o Brasil. A medida, que já havia sido antecipada por Donald Trump em carta divulgada na semana anterior, pode abrir caminho para a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros.
Apesar de o governo Trump ter justificado a decisão citando um suposto déficit comercial com o Brasil e o processo judicial contra Jair Bolsonaro, um trecho específico do relatório do USTR chamou atenção: a referência indireta ao Pix.
Segundo o documento, o Brasil estaria promovendo um serviço de pagamento eletrônico “desenvolvido pelo governo”, o que poderia estar prejudicando empresas americanas do setor. O USTR, no entanto, não detalha exatamente quais seriam essas práticas desleais.
Mas por que o Pix incomoda tanto as empresas dos EUA?
A resposta está no impacto que o Pix causou no mercado de pagamentos — não só brasileiro, mas também em relação à presença de empresas internacionais. Gratuito, rápido e eficiente, o Pix tirou espaço de gigantes norte-americanas como Visa, Mastercard e até da Meta (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp), que também desejava entrar com força nesse mercado.
De acordo com a economista Carla Beni, da FGV-SP, a criação do Pix representa uma ameaça real à hegemonia dessas empresas no setor de pagamentos. “As maiores bandeiras de cartão de crédito perderam espaço com o Pix, e devem perder ainda mais com a chegada de funcionalidades como o Pix parcelado e o Pix automático”, afirma.
Além disso, em 2020, a Meta tentou lançar o Facebook Pay no Brasil por meio do WhatsApp. No entanto, o Banco Central e o Cade suspenderam o serviço alegando preocupações com a concorrência. A ferramenta acabou sendo liberada posteriormente, mas o episódio ainda é visto como uma derrota para a big tech americana.
A reação do governo Lula e das redes sociais
A inclusão do Pix na investigação causou forte repercussão no Brasil. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, declarou que é “inacreditável” que um governo estrangeiro esteja questionando o uso de um sistema amplamente aceito pela população e pelo setor financeiro.

Nas redes sociais, a resposta do governo brasileiro foi direta e carregada de ironia:
“O Pix é nosso, my friend.”
A frase viralizou e simbolizou o sentimento de defesa da soberania nacional frente à ofensiva dos EUA.
Quais são as consequências dessa investigação do Pix para o Brasil?
Embora o USTR ainda não tenha apresentado conclusões, essa investigação abre espaço para que os Estados Unidos imponham tarifas sobre produtos brasileiros ou até mesmo restrinjam a importação de alguns deles.
Segundo o advogado Frederico Glitz, especialista em direito internacional, essa é uma forma clássica de pressão comercial. “O Pix reduziu a dependência dos consumidores brasileiros das big techs e dos cartões de crédito americanos. A investigação é uma retaliação disfarçada”, explicou.
Glitz também lembra que esse tipo de ação não é inédita. Em março deste ano, o USTR abriu um procedimento semelhante contra a Indonésia, que havia implementado o QRIS, sistema de pagamentos por QR code muito parecido com o Pix.
Entenda o que é o Pix e por que ele revolucionou o Brasil
O Pix foi desenvolvido pelo Banco Central durante o governo de Michel Temer, mas só entrou em funcionamento em novembro de 2020, já na gestão de Jair Bolsonaro. Hoje, o sistema é amplamente utilizado por brasileiros de todas as idades e classes sociais.
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São mais de 175 milhões de usuários, segundo dados do Banco Central até maio.
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Em abril, o Pix movimentou impressionantes R$ 2,67 trilhões.
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E em 2024, ele se consolidou como o meio de pagamento que mais cresceu no país, com alta de 52% nas transações.
O sistema trouxe inúmeros benefícios, especialmente para pessoas de baixa renda, pequenos empreendedores e microempresas. Afinal, o uso do Pix é gratuito para pessoas físicas e oferece praticidade e agilidade nas transações.
Novas funcionalidades ampliam ainda mais o alcance do Pix
Em junho, o Banco Central lançou o Pix Automático, uma ferramenta que permite o agendamento de pagamentos recorrentes. Com essa funcionalidade, é possível programar o pagamento de contas como:
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Luz e gás;
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Assinaturas de streaming;
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Mensalidades escolares e de academias.
Segundo projeções da fintech EBANX, o Pix Automático deve movimentar pelo menos US$ 30 bilhões no comércio digital brasileiro até 2027. A estimativa é que ele represente 12% de todo o volume financeiro do Pix nas transações online em apenas dois anos.
Investigação do Pix: proteção de mercado ou ataque à soberania?
Para muitos especialistas, o verdadeiro objetivo da investigação do Pix é proteger empresas americanas que perderam espaço no Brasil. A ação pode ser vista como uma tentativa de conter o avanço de soluções financeiras mais acessíveis, como o Pix, que desburocratizam o sistema e favorecem o consumidor final.
No entanto, sob o ponto de vista brasileiro, a iniciativa soa como uma ameaça à soberania nacional e à inovação tecnológica. Afinal, o Pix foi uma criação do próprio Banco Central e se mostrou extremamente eficiente, além de popular.
Como destacou Carla Beni, da FGV, a ofensiva dos Estados Unidos revela um esforço para garantir mercados para as big techs americanas. Mas ela também acredita que o Brasil precisa resistir a esse tipo de pressão: “Estamos falando de um sistema que hoje é essencial para a população e para a economia.”
O que está em jogo com a investigação do Pix
A investigação anunciada por Trump não é apenas um gesto político. É uma jogada estratégica para defender os interesses comerciais das grandes empresas americanas — mesmo que isso signifique colocar em risco um sistema inovador, eficiente e que se tornou indispensável para milhões de brasileiros.
Neste cenário, a investigação do Pix deixa de ser apenas uma disputa técnica e se transforma em um símbolo da luta por autonomia tecnológica e justiça no comércio global.
O desfecho dessa história ainda está por vir. Mas uma coisa é certa: o Pix é nosso, my friend.
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