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Diante de um julgamento que pode mudar o rumo da história recente do Brasil, muitos se perguntam: afinal, Fux votou contra ou a favor de Bolsonaro? A resposta, embora técnica, tem implicações políticas profundas — e os filhos do ex-presidente já estão usando cada palavra do ministro como trincheira jurídica.

O que significa o voto de Fux para o caso de Bolsonaro
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, não votou diretamente sobre a culpa ou inocência de Jair Bolsonaro. Em vez disso, ele apontou que o STF pode ser incompetente para julgar o caso da “trama golpista”. Por isso, seu voto é visto como uma brecha jurídica — e não como um apoio político explícito.
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Aliás, essa distinção é crucial. No mundo do Direito, dizer que um tribunal não tem competência não é o mesmo que absolver o réu. É como se o juiz dissesse: “Este caso não deveria estar aqui, e sim em outro lugar.” Consequentemente, os filhos de Bolsonaro — Flávio, Eduardo e Jair Renan — estão usando esse argumento para pedir a anulação de todo o processo.
Por que os filhos de Bolsonaro comemoraram o voto de Fux
Flávio Bolsonaro, senador, chamou o processo de “nulo”. Eduardo, deputado federal, repetiu uma frase do próprio Fux: “Já houve casos em que o STF anulou processos inteiros por incompetência.” Jair Renan, vereador, foi além: chamou o julgamento de “inquisição”. Nesse contexto, o voto de Fux virou uma âncora de esperança para a defesa.
No entanto, é importante lembrar: Fux não está julgando o mérito das acusações. Ele está questionando se a Primeira Turma — e não o Plenário do STF — deveria ser responsável pelo caso. Assim, politicamente, seu voto não é um “voto a favor de Bolsonaro”, mas sim um voto sobre regras processuais.
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Qual o impacto político desse julgamento no Brasil
O julgamento não é apenas jurídico — é profundamente político. Afinal, trata da acusação de que um ex-presidente da República teria planejado um golpe. Logo, qualquer decisão, mesmo técnica, será lida com lentes ideológicas.
Por outro lado, aliados de Bolsonaro veem no voto de Fux um fôlego estratégico. Se o processo for anulado por incompetência, abre-se caminho para recorrer, protelar ou até mudar o rumo do caso. Já os críticos do ex-presidente enxergam nisso uma manobra para adiar a responsabilização.
O que pode acontecer depois do voto de Fux
Ainda votam os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Depois, a Primeira Turma analisará a dosimetria das penas — ou seja, quanto tempo de prisão cada réu pode pegar, caso condenado. O julgamento deve ser concluído até sexta-feira.
Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, evita aparições públicas. Além disso, teme ser levado à Papuda. Por isso, mantém-se recluso — uma estratégia também política, já que demonstrar fragilidade física pode ajudar a manter a prisão em casa.
Então, Fux votou contra ou a favor de Bolsonaro?
Em resumo: tecnicamente, Fux não votou nem contra nem a favor de Bolsonaro no mérito. Ele votou contra a competência da Primeira Turma do STF para julgar o caso. No entanto, politicamente, seu voto foi imediatamente apropriado pela defesa como um instrumento de contestação — e até de possível anulação do processo.
Portanto, se você quer saber se Fux votou contra ou a favor de Bolsonaro, a resposta mais honesta é: depende da lente que você usa. Juridicamente, foi neutro. Estrategicamente, virou uma arma na mão dos filhos do ex-presidente. E, no tabuleiro político brasileiro, isso pode valer tanto quanto uma absolvição.
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