Trump suspende tarifas de até 40% sobre café, carne e outros produtos do Brasil

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Nesta quinta-feira (20), o governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão imediata das tarifas de até 40% aplicadas sobre exportações brasileiras de café, carne bovina, carne suína, frango, milho e outros produtos agrícolas. A decisão, tomada pelo presidente Donald Trump, encerra uma disputa comercial que persistia desde 2024 e representa uma vitória diplomática significativa para o Brasil — especialmente porque ocorre em meio a negociações mais amplas sobre acesso ao mercado norte-americano.

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lula pede retirada de taxa 40% 

Por que as tarifas foram impostas?

Inicialmente, as tarifas Trump Brasil foram introduzidas como retaliação a barreiras brasileiras ao etanol dos EUA. Mais especificamente, Washington argumentava que o Brasil dificultava a importação de etanol norte-americano por meio de cotas e requisitos burocráticos. Em resposta, em setembro de 2024, os EUA aplicaram sobretaxas de 10% a 40% sobre uma lista de produtos agrícolas brasileiros — com destaque para o café, que chegou a pagar 40% de tarifa adicional.

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Contudo, desde então, representantes dos dois países mantiveram diálogo constante, visando equilibrar interesses comerciais sem escalonar conflitos. E, conforme revelado agora, o Brasil comprometeu-se a revisar suas políticas de importação de etanol — o que abriu caminho para a revogação das medidas punitivas.

Quais produtos foram beneficiados pela decisão?

A suspensão abrange um leque amplo de itens estratégicos para a pauta exportadora brasileira. Além do café (arábica e robusta), estão incluídos:

  • Carne bovina in natura e processada;
  • Carne suína;
  • Frango (inteiro ou em partes);
  • Milho em grão;
  • E outros derivados agrícolas previamente listados nas tarifas de retaliação.

Vale destacar que a eliminação dessas sobretaxas não altera os impostos de importação já estabelecidos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Trata-se, portanto, da remoção exclusiva das tarifas adicionais — medidas unilaterais adotadas fora dos acordos multilaterais.

Reação do governo brasileiro

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) emitiu nota oficial celebrando a decisão. Segundo a pasta, a suspensão “reflete o compromisso contínuo do Brasil com o diálogo aberto e soluções técnicas baseadas em evidências”. Ademais, o Mapa enfatizou que o setor agropecuário nacional é um parceiro confiável e competitivo no mercado internacional — especialmente quando se reduzem barreiras artificiais ao comércio.

Além disso, o Itamaraty reforçou que a medida fortalece a agenda bilateral em curso, que inclui negociações para um acordo setorial de facilitação de comércio e debates sobre proteção de indicações geográficas — como o café de Minas Gerais ou o queijo de Canastra.

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E o etanol? O que muda agora?

Conforme acordado entre as partes, o Brasil se comprometeu a ajustar suas regras de importação de etanol dos EUA. Mais precisamente, o país revisará o sistema de cotas e simplificará procedimentos aduaneiros, sem, contudo, abrir mão de salvaguardas sanitárias e ambientais. Em contrapartida, Washington retirou as tarifas adicionais — ou seja, ambas as nações saem ganhando.

Aliás, essa troca de concessões ilustra bem como negociações equilibradas podem substituir medidas protecionistas por cooperação mútua. Afinal, o agronegócio brasileiro responde por mais de 70% das exportações totais do país — e mercados como os EUA são fundamentais para sua sustentabilidade.

O que esperar no curto prazo?

Apesar da boa notícia, especialistas alertam que a suspensão é condicional e sujeita a monitoramento contínuo. Caso o Brasil não cumpra os ajustes prometidos no setor de etanol, há risco de reativação das tarifas Trump Brasil. Por isso, o Mapa já articula com o setor sucroenergético uma agenda de transparência e conformidade técnica.

Dito isso, a expectativa é de que os embarques de café e carnes ganhem fôlego nos próximos meses — especialmente porque os EUA são o terceiro maior destino das exportações agrícolas brasileiras. Com efeito, a medida pode impulsionar receitas em um momento em que o dólar opera em patamares favoráveis ao exportador.

Um alívio estratégico no comércio exterior

Em resumo, a retirada das tarifas adicionais representa mais do que um alívio pontual: é um sinal de que o diálogo diplomático ainda prevalece mesmo em tempos de incerteza global. Ademais, reforça a importância de políticas comerciais ativas, embasadas em dados e flexibilidade.

Portanto, para produtores rurais, cooperativas e exportadores, o recado é claro: o mercado norte-americano permanece acessível — desde que o Brasil mantenha seu compromisso com regras claras e trocas justas. E, nesse cenário, as tarifas Trump Brasil deixam de ser uma ameaça imediata, convertendo-se em lição de negociação e soberania econômica.

Fonte: CNN

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1 comentário em “Trump suspende tarifas de até 40% sobre café, carne e outros produtos do Brasil”

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