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Você já imaginou receber seu salário no dia 5 e ver que, pela primeira vez em anos, não tem um centavo de imposto de renda retido na fonte? Pois é — com a Reforma do IR em vigor desde 1º de janeiro de 2026, isso deixou de ser utopia para milhões de brasileiros. Além disso, a mudança veio com uma abordagem inteligente: em vez de mexer nas alíquotas tradicionais (7,5% a 27,5%), o governo introduziu um mecanismo de redução direta — o chamado “fator redutor” — que suaviza o impacto fiscal para quem está na faixa intermediária.
Por isso, entender a Reforma do IR na prática é essencial, não só para ajustar suas expectativas no contracheque, mas também para planejar melhor sua declaração anual. Afinal, renda mensal e renda anual são vistas de forma diferente pela Receita Federal — e essa diferença pode surpreender quem tem mais de uma fonte de renda.
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O Que Mudou na Reforma do IR 2026?
A principal mudança da Reforma do IR é a ampliação da isenção mensal para quem ganha até R$ 5.000,00 por mês. No entanto, é crucial notar que essa isenção se aplica ao cálculo mensal do imposto retido na fonte — e não automaticamente à declaração anual. Logo, mesmo que seu salário individual não tenha retenção, a soma das suas rendas ao longo do ano ainda pode gerar imposto devido em 2027.
Aliás, o sistema agora funciona em três camadas, baseadas no salário bruto mensal (antes das deduções):
Isenção total para quem ganha até R$ 5.000
Se seu salário bruto mensal é de até R$ 5.000, o imposto devido é zerado por meio de uma redução de até R$ 312,89 — ainda que o cálculo inicial da tabela progressiva indique alguma cobrança. Por exemplo: José, que ganha R$ 4.000, teve um cálculo preliminar de R$ 114,76 de IRRF, mas a redução aplicada levou esse valor a R$ 0,00.
Redução parcial entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350
Acima dos R$ 5.000, a redução começa a diminuir gradualmente, seguindo a fórmula: R$ 978,62 – (0,133145 × salário bruto). Assim, quanto mais próximo de R$ 7.350, menor o desconto. Rita, que recebe R$ 6.000, teve seu imposto bruto calculado em R$ 562,63, mas com a redução de R$ 179,75, o valor final retido foi de R$ 382,88.
Sem redução acima de R$ 7.350
A partir de R$ 7.350,01, o contribuinte volta a pagar o imposto integral, conforme a tabela progressiva tradicional. Vera, com salário de R$ 7.607,20, entrou nessa faixa — e mesmo usando o desconto simplificado, teve R$ 1.016,27 retidos, sem nenhuma redução adicional.

Tabela Progressiva Mensal do IR (Vigente em 2026)
Para calcular o imposto antes da aplicação do fator redutor, continua valendo a tabela progressiva tradicional. Veja como ela funciona:
| Base de cálculo (R$) | Alíquota | Parcela a deduzir (R$) |
|---|---|---|
| Até 2.428,80 | — | — |
| De 2.428,81 a 2.826,65 | 7,5% | 182,16 |
| De 2.826,66 a 3.751,05 | 15,0% | 394,16 |
| De 3.751,06 a 4.664,68 | 22,5% | 675,49 |
| Acima de 4.664,68 | 27,5% | 908,73 |
Essa tabela é aplicada sobre a base de cálculo — ou seja, seu salário bruto menos as deduções (prévidência, plano de saúde, dependentes etc. ou o desconto simplificado de R$ 607,20, quando mais vantajoso).
E Quem Tem Dois Empregos ou Mais?
Essa é uma das partes mais delicadas — e muitas pessoas estão sendo pegas de surpresa. A isenção é aplicada por fonte pagadora, mês a mês. Ou seja: se você recebe R$ 4.000 de uma empresa e R$ 3.600 de outra, nenhuma delas reterá IR ao longo do ano. Contudo, sua renda total mensal é de R$ 7.600 — valor acima do limite de R$ 7.350 — e, portanto, provavelmente haverá imposto a pagar na declaração de 2027.
Por isso, a Receita recomenda antecipar o recolhimento complementar via DARF, especialmente se você já sabe que suas rendas combinadas ultrapassam o teto da redução. Em resumo: planejamento é mais importante do que nunca.
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Consequentemente, não basta só comemorar o contracheque mais gordo. É preciso agir com inteligência:
1. Avalie suas deduções reais
O desconto simplificado (R$ 607,20/mês) é vantajoso para quem tem poucas despesas dedutíveis — como plano de saúde ou previdência privada. Por outro lado, se você paga INSS alto, tem dependentes ou gastos médicos, vale a pena abrir mão do simplificado e declarar as deduções reais. A diferença pode ser significativa.
2. Simule sua declaração anual com antecedência
Ferramentas como o programa da Receita ou simuladores confiáveis já incorporaram as novas regras. Use-os no meio do ano para evitar surpresas desagradáveis em abril de 2027.
3. Aproveite a folga para investir
Se seu imposto caiu ou sumiu, não deixe o dinheiro “derreter” em gastos extras. Ainda mais agora, em um cenário de juros reais positivos, aplicar parte desse valor em Tesouro Selic ou CDBs conservadores pode gerar segurança e renda extra — sem risco.
Uma Reforma que Exige Atenção, Não Só Alívio
A Reforma do IR trouxe um alívio real para milhões de trabalhadores — e isso merece celebração. No entanto, diante disso, é essencial não confundir isenção mensal com isenção total. A Receita ainda olha o todo, não só o fragmento. Portanto, use esse ganho como uma oportunidade: para respirar, sim, mas também para organizar, planejar e, finalmente, avançar com mais segurança no seu futuro financeiro.
E você — já simulou quanto vai poupar (ou pagar a mais) com as novas regras? Compartilhe sua experiência nos comentários. Sua história pode ajudar alguém que está passando pela mesma dúvida hoje.
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