Academias de Bairro Estão Fechando as Portas para o Gympass: A Revolta Silenciosa dos Pequenos Negócios

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Uma onda de rompimentos silenciosos varre o mercado fitness brasileiro desde o início de 2026. Academias de bairro e estúdios especializados passaram a recusar ou restringir drasticamente o uso do Gympass — hoje operando como Wellhub — e do TotalPass. O movimento, que começou tímido, já se espalhou por várias regiões do país, incluindo Salvador.

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Repasses Baixos Colocam Pequenos Negócios em Risco

O principal motivo para o afastamento do Gympass é financeiro. Proprietários afirmam que o valor repassado por aluno é insuficiente diante dos custos operacionais reais. Enquanto grandes redes conseguem diluir despesas em escala, as academias de bairro arcam sozinhas com aluguel, energia elétrica, manutenção de equipamentos, salários de professores, limpeza e encargos trabalhistas.

Consequentemente, manter a parceria com o Gympass passou a significar operar com margens negativas. “Manter esses convênios, nas condições atuais, significa operar no prejuízo”, resume um empresário do setor em Salvador.

Mudanças Contratuais Agravaram a Situação em 2025

Além dos repasses historicamente baixos, mudanças contratuais recentes tornaram a parceria ainda menos viável. O último reajuste real havia ocorrido em 2023. Já em 2025, após meses de negociação, a proposta apresentada pelo Gympass previa um aumento nominal no repasse, porém acompanhado de descontos progressivos conforme o volume de check-ins.

Na prática, essa estrutura poderia reduzir em até 15% o valor efetivamente recebido pelas academias. “Isso significaria receber, em 2026, menos do que em 2023”, explica o gestor de um box de crossfit na capital baiana. Diante do impasse, ele optou por restringir o uso do Gympass exclusivamente aos fins de semana.

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Queda Inicial de Alunos, Mas Recuperação em Curso

Nos primeiros 20 dias após a restrição do Gympass, a academia registrou uma queda de aproximadamente 30% na frequência. Entretanto, o quadro começou a se reverter rapidamente. O público vem se recompondo gradualmente, com expectativa de recuperação total até março de 2026.

Além disso, a maioria dos alunos demonstrou compreensão com a decisão. “A reação dos alunos variou, mas a maioria entendeu e migrou. Houve quem saísse, mas o saldo foi positivo e nos deixou mais otimistas”, relata o empresário.

Casos Semelhantes se Multiplicam pelo País

Esse movimento não é isolado em Salvador. Em 2025 e 2026, diversas academias brasileiras anunciaram rompimentos semelhantes. A Panobianco Academia encerrou definitivamente sua parceria com o TotalPass após disputas judiciais. Paralelamente, a rede Velocity se desconectou da Wellhub por questões contratuais e para adotar modelos de plano mais sustentáveis.

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Alunos se Dividem Sobre o Fim do Gympass nas Academias

As opiniões dos frequentadores permanecem divididas. Parte dos alunos teme que as academias percam competitividade ao abrir mão dos benefícios corporativos. Por outro lado, muitos defendem que o movimento coletivo pode fortalecer o poder de negociação dos pequenos negócios frente às plataformas.

Contudo, os proprietários reforçam que a decisão não representa rejeição à tecnologia ou aos programas de bem-estar corporativo. Trata-se, na verdade, de uma medida de sobrevivência diante de um mercado cada vez mais desigual. “O mercado está cada vez mais competitivo e desigual entre pequenos negócios e grandes redes”, observa o empresário baiano.

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Wellhub Reconhece Desafios, TotalPass Permanece em Silêncio

Em nota oficial, o Wellhub — empresa que hoje opera o Gympass no Brasil — afirmou respeitar as decisões individuais de academias e estúdios sobre seus modelos de negócio. A companhia reconheceu que a sustentabilidade financeira é tema central para o setor e destacou seu compromisso com “um modelo que só cresce quando os parceiros também crescem”.

Enquanto isso, o TotalPass, também procurado para comentar o fenômeno, não retornou às solicitações de posicionamento até a publicação desta matéria.

O Mercado Fitness Precisa Repensar Seus Modelos

Dessa forma, o rompimento crescente com o Gympass sinaliza uma transformação necessária no ecossistema de bem-estar corporativo. Pequenos empreendedores finalmente estão questionando estruturas que historicamente beneficiaram apenas grandes players do mercado.

Portanto, o verdadeiro desafio agora recai sobre as plataformas: repensar seus modelos de repasse para incluir a realidade financeira das academias de bairro. Afinal, um ecossistema de saúde só é saudável quando todos os seus elos conseguem prosperar — não apenas os mais poderosos.

Fonte: CNN

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