PUBLICIDADE
Já comprou ações de uma empresa em dificuldade achando que estava pegando uma “promoção”, mas viu seu investimento sumir quase do dia para a noite? Pois é exatamente isso que está acontecendo com as ações AZUL4 após a aprovação do plano de recuperação da Azul nos EUA. Aliás, não foi uma queda qualquer: foram quase 21% em um único pregão. Por isso, é essencial entender o que está por trás desse movimento — principalmente se você tem ou pensa em ter esses papéis na carteira.

PUBLICIDADE
O que aconteceu com as ações AZUL4?
Na última sexta-feira (12), o tribunal americano aprovou o plano de reorganização da Azul sob o regime de Chapter 11 — a versão norte-americana da recuperação judicial. Consequentemente, a empresa está prestes a sair desse processo com um balanço mais leve, graças à conversão de boa parte da dívida em novas ações e à captação de US$ 950 milhões em capital fresco.
No entanto, há um porém gigantesco: essa reestruturação traz uma diluição massiva para os acionistas atuais. Afinal, quando uma empresa emite milhões de novas ações para quitar dívidas e atrair investidores, o valor de cada ação antiga simplesmente se espalha por um número muito maior de cotas — como dividir o mesmo bolo em 100 pedaços em vez de 10.
Por que essa diluição é tão forte?
Quem fica com o controle após o Chapter 11?
Segundo o Bradesco BBI, após todas as conversões e emissões, os detentores de dívidas de primeiro nível (1L) ficarão com cerca de 97% da empresa. Já os credores de segundo nível (2L) terão aproximadamente 3%. E os acionistas minoritários atuais? Praticamente zerados. Ou seja, mesmo que a Azul volte a voar, quem comprou ações AZUL4 antes do processo dificilmente participará desse novo começo — a não ser que compre novas ações após a reestruturação.
Como funciona a diluição na prática?
Imagine que você possuía 1% de uma startup com 10 mil ações em circulação. Agora, para levantar dinheiro, a empresa emite mais 990 mil ações. De repente, suas 100 ações representam apenas 0,01% do total. Esse é o efeito da diluição — e no caso da Azul, ele é extremo. Por isso, o preço-alvo do banco foi rebaixado para R$ 0,50, abaixo até do fechamento de R$ 0,84.

E agora: vender, segurar ou comprar mais?
Essa é uma decisão que depende do seu perfil e do motivo da sua alocação inicial. Se você entrou nas ações AZUL4 como aposta de longo prazo, baseado em fundamentos pré-crise, é importante reconhecer que o jogo mudou completamente. O novo negócio será outro — com outro controle, outra estrutura de capital e outro risco.
Além disso, mesmo com balanço mais limpo, o setor aéreo ainda enfrenta desafios: volatilidade no preço do querosene de aviação, pressão cambial e concorrência acirrada. Logo, a recuperação operacional não garante recuperação financeira para o acionista antigo.
LEIA TAMBÉM:
O que aprender com esse caso
A história da Azul é um lembrete poderoso: recuperação judicial não é sinônimo de recuperação do investidor. Muitas vezes, ao contrário, é o sinal de que o capital próprio foi sacrificado para salvar credores e manter as operações.
Por isso, antes de investir em empresas em dificuldade, pergunte-se:
— Quem tem prioridade no plano de recuperação?
— Qual é o grau de diluição esperado?
— Quem assume o controle após o processo?
Afinal, “barato” pode sair caro — principalmente quando o preço baixo vem com risco de diluição extrema.
Em resumo: as ações AZUL4 estão em um momento de transição radical. A empresa pode sobreviver — e até prosperar — mas o acionista atual, provavelmente, não estará lá para celebrar. Diante disso, revisar sua posição com cuidado é mais do que prudente: é essencial.
PUBLICIDADE





Pingback: Marcopolo (POMO4) dispara na B3: o que impulsionou a alta? -
Pingback: Azul e United: o que muda nas suas viagens -