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A decisão recente do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), validou o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A medida trouxe alívio imediato às contas do governo federal. Com isso, a equipe econômica garante bilhões em arrecadação e ganha fôlego para cumprir as metas fiscais.

Apesar do efeito positivo nas finanças, a decisão reacendeu o debate sobre os limites do Executivo ao aumentar tributos. Além disso, expôs a insegurança jurídica provocada por disputas entre os Poderes. Esse cenário pode afastar investidores e comprometer a confiança no ambiente de negócios do país.
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O que mudou com a decisão do STF sobre o aumento do IOF?
Na quarta-feira (16), o ministro Alexandre de Moraes tomou a decisão do STF sobre IOF ao manter o decreto do governo federal que aumenta as alíquotas do imposto. A medida entra em vigor de forma imediata e retroativa. Isso significa que empresas de todos os portes, incluindo MEIs e optantes do Simples Nacional, passarão a pagar alíquotas mais altas sobre operações de crédito, conforme previa o decreto original do Executivo.
O que foi mantido:
- Dobro da alíquota do IOF para operações de crédito com pessoa jurídica;
- IOF de 5% sobre aportes anuais acima de R$ 600 mil em planos VGBL (previdência privada).
O que foi retirado:
- A cobrança sobre operações de “risco sacado”, modalidade em que uma empresa antecipa recebíveis com base em pagamento futuro de clientes.
O governo previa arrecadar R$ 44 bilhões entre 2025 e 2026 com as novas regras. Com a exclusão do risco sacado, a arrecadação estimada cai R$ 4 bilhões. Ainda assim, o impacto fiscal continua significativo e ajudará a evitar cortes no Orçamento, sustentando o cumprimento das metas do novo arcabouço fiscal.
Por que o aumento do IOF é tão importante para o governo?
Segundo o analista de contas públicas Murilo Viana, a resposta está na arrecadação rápida. O aumento do IOF não depende de aprovação do Congresso e entra direto nos cofres da União. Além disso, a aplicação é imediata, ao contrário de outros tributos que precisam aguardar o ano seguinte, como o Imposto de Renda.
Esse reforço de receita virou uma saída estratégica para o governo recompor o caixa em meio à pressão por equilíbrio fiscal. Com mais dinheiro em caixa, o Ministério da Fazenda consegue adiar cortes e contingenciamentos em áreas sensíveis.
A decisão também facilita a elaboração do próximo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP), que monitora o cumprimento da meta fiscal do ano.
Descisão do STF no aumento do IOF reacende conflito entre Congresso e Executivo
Apesar do alívio fiscal, o processo até a decisão foi marcado por embates. O Congresso derrubou o decreto que elevava o IOF por meio de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL), com 383 votos na Câmara e aprovação simbólica no Senado. Parlamentares argumentaram que o decreto extrapolava seu limite legal e tinha objetivo meramente arrecadatório, o que exigiria aprovação por lei ordinária.
O governo recorreu ao STF alegando que o Congresso invadiu competências do Executivo. A Constituição permite ao presidente alterar alíquotas do IOF para fins regulatórios, como controle da inflação, do crédito e do câmbio.
Na prática, o STF acabou decidindo a questão. A corte recebeu críticas por possível politização e ativismo judicial ao se sobrepor à decisão do Legislativo.
O que dizem os especialistas sobre a decisão do STF?
A constitucionalista Vera Chemim considera que a decisão não fere diretamente a Constituição, mas gera preocupação. Para ela, mesmo sem finalidade arrecadatória declarada, o ministro Fernando Haddad afirmou que o aumento visava cobrir déficits fiscais, o que sustenta a crítica do Congresso sobre desvio de finalidade.
Chemim interpreta a decisão como um possível apoio incondicional ao Executivo, o que enfraquece a fiscalização do Congresso. Ela também alerta para os riscos da judicialização de temas políticos, que aumentam a insegurança jurídica e afastam investimentos.
O tributarista Gabriel Vieira lembra que o IOF pode ter função arrecadatória secundária, desde que esse não seja o objetivo principal. Segundo ele, o STF costuma conceder mais liberdade ao Executivo em decisões sobre economia.
IOF cambial também volta a ser cobrado
Outro ponto relevante é a volta da cobrança do IOF sobre operações cambiais, especialmente a compra de dólar. O Congresso havia suspendido a alíquota de 3,5% ao derrubar o decreto anterior. No entanto, com a decisão de Moraes, a Receita Federal retoma imediatamente a cobrança do imposto. Além disso, o órgão exige que os contribuintes regularizem as operações que deixaram de pagar. Dessa forma, a medida reforça o caixa da União e garante recursos extras de forma imediata.
Aumento do IOF ajuda no caixa, mas aumenta tensão entre Poderes
A decisão do STF sobre IOF liberou mais recursos para o governo, mas intensificou o conflito entre os Poderes. O Executivo garantiu bilhões para atingir suas metas fiscais, enquanto o Congresso acusou perda de poder, e o Supremo assumiu protagonismo em uma disputa política.
A população já sente o impacto no crédito mais caro e no aumento da carga tributária sobre investimentos e operações com moeda estrangeira. Investidores e empresários identificam o episódio como mais um sinal de insegurança jurídica e instabilidade institucional.
Em meio à crise fiscal, o governo toma medidas que julga inevitáveis. No entanto, a forma como conduz e impõe essas decisões revela muito sobre os rumos da economia e da democracia brasileira.
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