Dois produtos isentos do tarifaço: água de coco e manteiga de cacau como impulsionam a economia

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Antes de tudo, é fundamental relembrar o contexto que abalou as exportações brasileiras em 2019. Naquele ano, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a aplicação de tarifas adicionais sobre uma série de bens nacionais — uma medida conhecida popularmente como “tarifaço”. Essa decisão surgiu em retaliação a subsídios europeus à Airbus, com base em uma autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC). Por isso, itens como laranja, café solúvel e frutas frescas passaram a sofrer sobretaxas de até 25%.

No entanto, após negociações intensas entre os governos brasileiro e norte-americano, uma mudança significativa ocorreu em 2023. Dessa forma, parte dos produtos afetados conquistou isenção definitiva — e, entre os beneficiados, destacam-se dois itens de origem fortemente baiana: a água de coco e a manteiga de cacau. Com efeito, esses agora integram o seleto grupo de produtos isentos do tarifaço, abrindo novas perspectivas para o agronegócio regional.

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Por que a Bahia é protagonista nessa conquista?

A Bahia lidera a produção nacional de coco verde e é berço histórico do cultivo de cacau no Brasil. Aliás, mais de 70% da água de coco processada no país vem de coqueirais baianos, especialmente nas regiões do Litoral Norte e do Recôncavo. Por outro lado, o sul do estado — conhecido como Zona do Cacau — responde por quase metade do cacau fino produzido nacionalmente, boa parte dele destinada à extração de manteiga de alta pureza.

Logo, quando as tarifas entraram em vigor, pequenos produtores, cooperativas e agroindústrias locais enfrentaram queda nas exportações. Contudo, com a isenção recente, esses atores recuperam competitividade no mercado norte-americano. Afinal, sem a sobretaxa, o preço final ao consumidor estrangeiro diminui, e a margem para o exportador aumenta. Além disso, os EUA valorizam cada vez mais ingredientes naturais, sustentáveis e regionalmente autênticos — condições que esses produtos atendem plenamente.

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Atualmente, a água de coco extrapola seu papel tradicional de bebida refrescante. De fato, ela é amplamente utilizada em isotônicos naturais, suplementos hidratantes e até em formulações cosméticas. Nesse cenário, a Bahia não apenas fornece matéria-prima, mas também desenvolve processos de envase asséptico e certificações de qualidade — como orgânico e Fair Trade.

Por isso, a inclusão da água de coco entre os produtos isentos do tarifaço fortalece diretamente cadeias produtivas locais. Empreendimentos como a COOCOL (Cooperativa dos Produtores de Coco do Litoral Norte da Bahia), por exemplo, já relatam maior interesse de importadores norte-americanos. Dessa maneira, a isenção não é apenas uma vantagem fiscal — é um catalisador de desenvolvimento territorial.

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manteiga de cacau mais um produto que deixa de ser tarifado pelo trump

Por sua vez, a manteiga de cacau produtos isentos do tarifaço— obtida pela prensagem das amêndoas fermentadas e secas — é um ingrediente-chave na fabricação de chocolates premium, barras de beleza e cremes corporais naturais. A produção baiana, muitas vezes associada ao sistema cabruca (conservação da mata atlântica), oferece um diferencial ambiental e social reconhecido internacionalmente.

Com efeito, marcas norte-americanas de cosméticos clean e alimentos funcionais buscam fornecedores com rastreabilidade e impacto positivo comprovado. Assim, a isenção tarifária permite que agricultores familiares e cooperativas negocem diretamente com esses compradores. Logo, o retorno econômico fica mais concentrado na região produtora, e não em intermediários.

 

E agora? O que fazer com essa janela de oportunidade?

Apesar do avanço, especialistas ressaltam: a isenção por si só não garante aumento de vendas. Por isso, é essencial investir em adequação às normas sanitárias da FDA, certificações de sustentabilidade e embalagens alinhadas às exigências do mercado-alvo. Além disso, participação em rodadas de negócios e uso de canais digitais de prospecção — como plataformas B2B — são estratégias altamente recomendadas.

Por outro lado, a ApexBrasil e o Sebrae já preparam missões setoriais focadas nesses segmentos. Nesse sentido, o momento é propício para que a Bahia consolide sua imagem como fornecedora confiável de ingredientes de alto valor — especialmente entre os produtos isentos do tarifaço.

Mais que isenção, uma chance de reconstrução

Em resumo, a saída da água de coco e da manteiga de cacau da lista do tarifaço representa uma conquista concreta para a economia baiana. Aliás, trata-se de um exemplo raro em que a diplomacia comercial resulta em benefício direto ao produtor rural. Por isso, o termo produtos isentos do tarifaço vai além de uma definição tributária: ele sinaliza resiliência, potencial e justiça comercial.

Dessa forma, ao transformar essa isenção em ação — com qualidade, inovação e articulação — a Bahia pode não só recuperar mercados perdidos, mas também avançar em segmentos de alto valor agregado. Afinal, quando política, produção e propósito se alinham, o crescimento tende a ser sustentável — e duradouro.

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Fonte: CNN

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