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O Fluminense vive um momento histórico. A classificação para a semifinal do Mundial de Clubes, conquistada com uma vitória por 2 a 1 sobre o Al Hilal nesta sexta-feira (04), não trouxe apenas prestígio esportivo — trouxe, sobretudo, um ganho financeiro milionário. O clube carioca já embolsou impressionantes 60,8 milhões de dólares, o equivalente a R$ 329 milhões, até aqui.

Contudo, além da performance esportiva, vale refletir sobre algo maior: quais são os reflexos desses lucros para a economia do Brasil? E mais importante, será que essas cifras podem contribuir, de forma direta ou indireta, para a redução da desigualdade social? Vamos explorar esses pontos a seguir.
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Lucros do Fluminense no Mundial: a performance que virou capital
Antes de falar sobre impactos macroeconômicos, é essencial entender como o clube chegou a essa bolada. Abaixo, você confere os detalhes do faturamento acumulado:
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Participação no torneio: 15,2 milhões de dólares (R$ 82,3 milhões)
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Empates com Borussia Dortmund e Mamelodi Sundowns: 2 milhões de dólares (R$ 10,8 milhões)
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Classificação às oitavas: 7,5 milhões de dólares (R$ 40,6 milhões)
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Vitória nas oitavas contra a Inter de Milão: 13,1 milhões de dólares (R$ 70,9 milhões)
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Classificação às semifinais após vitória sobre o Al Hilal: 21 milhões de dólares (R$ 113 milhões)
Total acumulado: 60,8 milhões de dólares (R$ 329 milhões)
Este valor representa uma das maiores premiações da história do clube. Porém, seu significado vai além do futebol. Em um país onde muitos clubes enfrentam dificuldades financeiras, esse montante pode se tornar um verdadeiro motor de investimentos.
Injeção de recursos: um alívio nas finanças do clube e uma cadeia que se movimenta
Com os lucros do Fluminense no Mundial, o clube agora tem mais margem para investir em infraestrutura, categorias de base, pagamento de dívidas e até ações sociais. Além disso, esse dinheiro não para dentro dos muros das Laranjeiras. Ele circula.
Ao utilizar esses recursos para modernizar centros de treinamento, contratar profissionais ou expandir a atuação da marca no exterior, o Fluminense movimenta uma cadeia produtiva que inclui prestadores de serviço, empresas terceirizadas, mídias, logística, segurança e comércio local.
Assim, embora o ganho seja do clube, os reflexos se espalham, ainda que lentamente, pela economia brasileira, especialmente no setor de serviços e entretenimento.
Futebol como vetor econômico: o impacto na economia do Brasil
O futebol brasileiro movimenta, segundo dados da FGV, mais de R$ 50 bilhões por ano. O bom desempenho de um clube como o Fluminense em um torneio internacional eleva a exposição do país lá fora, atrai patrocinadores, fomenta o turismo esportivo e ainda influencia positivamente a exportação de jogadores e produtos ligados ao clube.
Além disso, quando há maior fluxo de receita vindo do exterior — como é o caso dos 60,8 milhões de dólares do Mundial — ocorre uma injeção de moeda estrangeira na economia nacional. Isso pode fortalecer o real, ainda que de forma modesta, e elevar a arrecadação de impostos, já que essas premiações estão sujeitas a tributos.
Portanto, o sucesso do Fluminense não beneficia apenas seus torcedores, mas também setores econômicos que, muitas vezes, passam despercebidos.
E a desigualdade social? Como o futebol pode contribuir?
A pergunta mais relevante, talvez, seja: esses ganhos podem ajudar a reduzir a desigualdade social? A resposta, infelizmente, é complexa.
Embora o futebol seja uma indústria capaz de mobilizar milhões de reais, seus benefícios ainda se concentram em poucos agentes. Clubes de elite, patrocinadores, intermediários e atletas de ponta são os principais favorecidos. Enquanto isso, comunidades ao redor dos estádios, pequenas escolas de base e profissionais de suporte recebem pouco ou nenhum retorno.
Contudo, há caminhos possíveis para gerar impacto positivo. O Fluminense, por exemplo, pode destinar parte desses recursos a projetos sociais que atuem em comunidades carentes, promovendo educação, inclusão esportiva e geração de renda.
Quando isso acontece — e há clubes que já seguem essa linha — o futebol deixa de ser apenas um espetáculo e se transforma, de fato, em ferramenta de transformação social.
Oportunidade de virar o jogo fora de campo
Os lucros do Fluminense no Mundial representam um feito histórico para o clube e uma excelente notícia para o futebol brasileiro. No entanto, mais do que isso, eles também evidenciam como o esporte pode servir como plataforma de desenvolvimento econômico.
Se bem utilizados, esses recursos podem ultrapassar as quatro linhas e promover impactos reais, tanto na economia quanto na sociedade. O futebol, que é paixão nacional, pode — e deve — ser parte ativa na construção de um país mais justo.
O desafio, agora, está em transformar milhões em oportunidades. E essa é uma decisão que depende mais da gestão e da visão estratégica do que do resultado em campo.
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