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A pensão por morte vitalícia foi reconhecida em um processo administrativo após a análise de documentos que ajudaram a comprovar a união estável entre uma mulher e um segurado do INSS. Entre as provas apresentadas estavam um comprovante de residência e uma ficha de atendimento médico que indicavam o mesmo endereço para os dois.
O caso chamou a atenção porque a documentação reunia registros de períodos diferentes. Além de um documento religioso de 1992, a requerente apresentou provas mais recentes da convivência com o companheiro.
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O Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) considerou o conjunto dos documentos suficiente para reconhecer o vínculo. Como a mulher tinha 55 anos na data da morte, e os demais requisitos legais foram considerados preenchidos, o benefício foi reconhecido por prazo vitalício.
Quais documentos ajudaram a comprovar a união estável?
O principal ponto discutido no recurso não era a condição previdenciária do falecido. Afinal, ele recebia aposentadoria quando morreu e, portanto, sua qualidade de segurado não estava em discussão.
A questão era demonstrar que a requerente mantinha uma união estável com ele. Para isso, o processo reuniu documentos que ajudaram a demonstrar a existência e a continuidade do relacionamento.
Entre as provas analisadas estavam:
- Certidão de casamento religioso de 1992: utilizada para indicar o início do relacionamento;
- Comprovante de residência de setembro de 2025: emitido em nome da mulher;
- Ficha de atendimento do Serviço de Pronto Atendimento: emitida no dia do falecimento do segurado.
Os dois documentos mais recentes indicavam que a mulher e o aposentado tinham o mesmo endereço. Dessa maneira, os registros ajudaram a demonstrar a convivência entre eles próximo à data do óbito.
Além disso, o documento religioso mais antigo contribuiu para contextualizar a duração do relacionamento. Ao avaliar as provas em conjunto, o CRPS entendeu que havia elementos suficientes para reconhecer a união estável naquele caso.

O que a lei exige para comprovar união estável?
A legislação previdenciária estabelece regras para quem solicita pensão por morte na condição de companheiro ou companheira. Em geral, o requerente precisa demonstrar que mantinha uma união estável com o segurado na data do falecimento.
Além disso, o artigo 16, § 5º, da Lei nº 8.213/1991 exige início de prova material contemporânea aos fatos, produzido em período não superior a 24 meses antes do óbito. Como regra, a comprovação não pode se apoiar exclusivamente em testemunhas, salvo as exceções previstas na legislação.
Para que o benefício seja concedido por período superior a quatro meses nas situações previstas em lei, também é necessário comprovar que a união estável já existia havia pelo menos dois anos antes da morte, observadas as regras aplicáveis ao caso.
Portanto, documentos antigos e recentes podem cumprir funções diferentes na análise. Enquanto os registros antigos ajudam a demonstrar a duração do relacionamento, os documentos próximos ao falecimento contribuem para comprovar a existência da união naquele período.
É importante destacar, porém, que ter o mesmo endereço não é uma exigência obrigatória para reconhecer toda união estável. O que importa é a análise das provas disponíveis e o cumprimento dos requisitos legais.
Por que a pensão por morte foi concedida de forma vitalícia?
A duração do benefício depende de critérios previstos na Lei nº 8.213/1991. Entre eles estão a idade do dependente na data do falecimento, o número de contribuições mensais do segurado e o tempo de duração do casamento ou da união estável.
No processo analisado, a mulher tinha 55 anos quando o companheiro morreu. O voto também registrou que o relacionamento durou mais de dois anos e que o segurado possuía mais de 18 contribuições mensais.
De acordo com as regras gerais do artigo 77 da Lei nº 8.213/1991, a pensão por morte pode ser vitalícia para cônjuge ou companheiro com 44 anos ou mais na data do falecimento, desde que sejam cumpridas as condições legais aplicáveis.
Assim, a idade da requerente, o histórico contributivo do falecido e a duração da união foram fatores relevantes para o reconhecimento do benefício por prazo vitalício.
Isso não significa, entretanto, que toda pessoa com mais de 44 anos terá direito automático à pensão vitalícia. A concessão e a duração dependem da análise dos requisitos de cada situação.
Desde quando a pensão por morte deve ser paga?
Outro ponto importante foi a data de início do pagamento. Segundo as informações do processo, a mulher apresentou o requerimento administrativo 33 dias após o falecimento do companheiro.
A Lei nº 8.213/1991 prevê que, para os dependentes em geral, a pensão por morte pode ser devida desde a data do óbito quando o pedido é apresentado em até 90 dias. Para filhos menores de 16 anos, existe prazo específico de 180 dias.
Como o requerimento foi feito dentro do prazo aplicável, o CRPS fixou o início do benefício em 20 de março de 2026.
O conselho também considerou que os documentos utilizados para comprovar a união estável já estavam presentes no processo administrativo inicial. Com isso, reconheceu os efeitos financeiros desde a data de início estabelecida para a pensão.

Como funciona o recurso analisado pelo CRPS?
O Conselho de Recursos da Previdência Social é responsável por analisar recursos administrativos relacionados às decisões do INSS. Portanto, sua atuação permite que segurados e dependentes contestem determinadas decisões sem que a discussão precise começar, necessariamente, na Justiça.
Neste caso, o CRPS conheceu o recurso e deu provimento ao pedido. Em outras palavras, aceitou analisar a contestação e decidiu favoravelmente à requerente, reconhecendo o direito à pensão por morte vitalícia conforme os elementos apresentados no processo.
O caso foi analisado na esfera administrativa. Isso significa que a decisão do conselho não deve ser confundida com uma sentença judicial.
Quais documentos podem ajudar a solicitar pensão por morte?
Quem pretende solicitar o benefício na condição de companheiro ou companheira deve reunir documentos que ajudem a demonstrar a relação e sua duração. A documentação necessária varia conforme a situação, mas alguns exemplos podem ser úteis:
- Comprovantes de residência que indiquem a convivência, quando disponíveis;
- Certidões e registros relacionados ao relacionamento;
- Documentos médicos ou administrativos que identifiquem ambos no mesmo endereço;
- Registros financeiros ou outros documentos que ajudem a demonstrar a vida em comum;
- Outras provas materiais que indiquem a existência da união estável.
Entretanto, não existe uma lista única que garanta a aprovação do pedido. O INSS ou o órgão responsável precisa avaliar a documentação e verificar se ela atende às exigências legais.
Por isso, organizar os registros por data e apresentar documentos de diferentes períodos pode facilitar a análise. Se houver dúvidas sobre a suficiência das provas, buscar orientação previdenciária pode ajudar a evitar erros no requerimento.
O que esse caso ensina sobre a pensão por morte vitalícia?
O caso mostra como documentos de diferentes períodos podem contribuir para comprovar uma união estável. O registro religioso de 1992 ajudou a indicar a duração do relacionamento, enquanto o comprovante de residência e a ficha de atendimento médico reforçaram a existência da convivência próxima à data do falecimento.
Além disso, a decisão evidencia a importância de analisar todos os requisitos da pensão por morte. A idade do dependente, o histórico de contribuições do segurado e a duração da união podem influenciar o tempo de recebimento do benefício.
Por fim, cada pedido precisa ser avaliado individualmente. Reunir documentos consistentes e respeitar os prazos legais são medidas importantes para quem deseja solicitar a pensão por morte e demonstrar o direito ao benefício.
Número do processo administrativo: 44234.095528/2026-28.
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